3.02. – CAPITU

Artista Plástica

3.02. – CAPITU

28 de dezembro de 2018 Acervo 4

foto Pedro Amora
Escultura – 0.32 x 0.25

Materiais: Uma prosaica jarra de louça branca, com uma forma parecida com um “jogo de cintura”, trouxe “minha” Capitu. Então, objetos que estavam ao alcance de minhas mãos e dos meus olhos, foram se ajustando: forma oval de vidro; flor e echarpe de tecido aramado; colagem de retalhos de renda; um pedaço da cauda de uma raposa, que serviu perfeitamente como estola de pele e, finalmente, aquele olhar…  

Personagem do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, (publicado em 1899 pela Livraria Garnier – Rio de Janeiro) impressionou a todos que o leem. Seu olhar de ressaca,- imagem que se refere à ressaca do mar, quando as ondas se avolumam e invadem; olhar incerto, desconfiado, envolvente, sempre sedutor, ambíguo. Jamais se chega à conclusão de que ela levasse à cabo suas intenções, ou mesmo se ela as haveria: teria mesmo Capitu traído seu marido, Bento Santiago, o Bentinho?  Imaginação, sonhos, curiosidade e prazer, na leitura de Machado. Na minha opinião, um problema moral insolúvel.

 

4 comentários

  1. João Carlos Pecci disse:

    Lúdico, gracioso, harmonia concentrada na pureza enternecedora.

    • carolina disse:

      A genialidade de Machado de Assis,revela em seus romances, o espírito crítico, ironia, a reflexão sobre a sociedade da época. O romance Dom Casmurro me trouxe a figura de Capitu, seu olhar de ressaca do mar, e a pergunta, que fica para sempre sem resposta: teria ela traído seu marido Bentinho?

  2. Rodolfo Stroeter disse:

    Quando eu era masi jovem, queria ter uma filha chamada Capitu. Não tive, mas olhando/curtindo a Capitu da Carol me lembrei do olhar que eu imaginava ela ter. É o mesmo do vaso Capitu que olho agora. A incrível e única capacidade de juntar materiais diversos e transformar numa coisa/obra original sempre foi uma qualidade da Carol. Olhando agora para o acervo, me comovo coma sua sutil fluidez e delicadez, que sempre me provocam um sorriso, uma inquietação em “como” conseguir transformar e reunir tantas coisas dispersas numa unidade sempre de olhar feminino e de requintado sabor. Esse olhar da CapituCarol pode ser o que cada um quiser : matreiro, sensual, sonecado, desconfiado…. mas só é assim pois é a extensão do olhar da autora e da sua capacidade de trazer uma expressão imaginada por Machado. Coitado do Bentinho…

    • carolina disse:

      Rodolfo, gostei tanto do seu comentário! Sabe, a capacidade de juntar materiais diversos, me lembrou de uma canção infantil, que você me ensinou, e que junta coisas tão díspares, formando um quadro surreal, como meus trabalhos, surpreendentes, tem humor e poesia. “Este sapo Cururú, não anda de bicicleta; e ele anda dizendo, que a Lua é careca. Se a Lua fosse careca, ela usava cabeleira! Meu Deus, como é bonita, a bandeira brasileira.” Acho, meu amigo músico, que você sabia intuitivamente, que eu juntava isto com aquilo mas que no final, uma obra harmônica haveria de aparecer. Por isso me ensinou a música, do sapo e a bicicleta; a Lua careca e a nossa linda bandeira. E arrematando seu comentário, me fez pensar no Bentinho. Você tem razão: coitado do Bentinho!

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